Lotus se reconcilia com a combustão: modelos híbridos para complementar a linha elétrica

7

A Lotus, o fabricante britânico de automóveis que há apenas cinco anos prometeu um futuro totalmente eléctrico, prepara-se agora para lançar uma série de veículos híbridos plug-in. Esta mudança reflete uma tendência mais ampla entre os fabricantes que estão a equilibrar os objetivos ambiciosos dos veículos elétricos com as realidades da procura dos consumidores e as limitações da infraestrutura. A empresa começará com uma versão híbrida de alto desempenho do seu SUV Eletre, prevista para chegar aos mercados chineses no início de 2026, seguida de entregas europeias no final daquele ano.

Planos híbridos tomam forma

O CEO da Lotus, Feng Qingfeng, revelou que o primeiro híbrido plug-in fornecerá uma potência combinada de 912 cavalos. A empresa confirmou planos para três modelos híbridos, incluindo uma versão híbrida do sedã Emeya e um SUV menor atualmente conhecido como Vision X, com lançamento previsto para 2027. Esta expansão para híbridos não se trata de abandonar as ambições elétricas, mas de ampliar o alcance do mercado, especialmente em regiões onde a adoção de veículos elétricos está atrasada.

Por dentro do trem de força hiper-híbrido

O novo trem de força, apelidado de ‘Hyper Hybrid’, é construído em torno de uma plataforma elétrica de alta tensão (900 V) projetada para carregamento rápido – de 10% a 80% em apenas dez minutos com infraestrutura compatível. O sistema foi projetado para que o motor de combustão funcione como um gerador de bordo, reabastecendo a bateria durante a condução. Embora a Lotus não tenha divulgado os detalhes do motor, relatórios da indústria sugerem que um quatro cilindros turboalimentado é o mais provável.

Por que isso é importante

A medida destaca um ajuste pragmático às condições de mercado. A adoção total de VE enfrenta obstáculos em certas regiões devido a lacunas na infraestrutura de carregamento e à hesitação dos consumidores. Os híbridos preenchem esta lacuna, oferecendo maior autonomia e familiaridade, ao mesmo tempo que reduzem as emissões. A Lotus espera que os modelos híbridos aumentem significativamente a autonomia de condução, com potencial para até 684 milhas (1.100 km) entre paradas – uma melhoria substancial em relação à autonomia de 254-373 milhas do Eletre totalmente elétrico.

Esta decisão também indica que mesmo as marcas comprometidas com a eletrificação reconhecem o valor de oferecer um portfólio diversificado para atender às diversas preferências dos consumidores e às limitações geográficas. A introdução de modelos híbridos é um passo calculado para acelerar o crescimento e expandir-se para mercados mais amplos, incluindo Itália, Espanha e Arábia Saudita.

O pivô da Lotus demonstra que a transição para a mobilidade elétrica nem sempre é linear. As montadoras devem se adaptar para garantir a viabilidade a longo prazo e atrair um público mais amplo.