A Aliança Stellantis-JLR: uma reviravolta na trama que ninguém ligou

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“Sergio Marchionne estaria rindo. Na verdade chorando. Provavelmente os dois.”

Lembra quando a Fiat Chrysler tentava se casar com alguém novo a cada poucos anos? Essa era terminou em 2021, quando eles finalmente se casaram com a PSA. O presente de casamento? Stellantis. O grande e inchado gigante multinacional. Agora aqui estamos nós de novo. Mas desta vez eles não vão se casar com a Jaguar Land Rover.

Não exatamente.

Eles estão assinando um memorando de entendimento não vinculativo. Apenas palavras no papel, na verdade. “Explorar oportunidades de colaboração no desenvolvimento de produtos”, diz o comunicado à imprensa. Fala corporativa porque estamos desesperados. Ou talvez apenas inteligente. Depende de quem você pergunta.

Antonio Filosa, CEO da Stellantis, chamou isso de um movimento em direção a “benefícios significativos”. Ele quer manter as luzes acesas enquanto entrega aos clientes exatamente o que eles desejam. Uma tarefa difícil. O chefe da JLR, PB Balaji, acenou com a cabeça, falando sobre “capacidades complementares”. Eles gostam dessa frase. Parece cooperativo sem prometer nada de concreto.

Por que agora?

Você deve estar se perguntando por que dois concorrentes – tecnicamente são – estão de repente reunidos em uma mesa. Tarifas. Grandes. A JLR não fabrica nenhum carro nos EUA. Nem um único. Todos os carros chegam do exterior. No ano passado, eles desembolsaram £ 410 milhões em taxas extras. Isso equivale a quase US$ 550 milhões às taxas de câmbio atuais. Doloroso. Eles repassaram esse custo aos compradores. Os preços subiram. As margens caíram.

Stellantis? Eles têm fábricas. Muitos deles. Muitos estão meio vazios. Plantas subutilizadas custam dinheiro todos os dias. O espaço vazio é caro.

Some dois mais dois.

Imagine um JLR Range Rover saindo de uma fábrica de estamparia em Detroit. Parece estranho, eu sei. Mas isso poderia economizar dinheiro para todos. Eles poderiam compartilhar plataformas. Eles poderiam compartilhar tecnologia. Talvez até mesmo projetar um Jeep para parecer um Defender? A imprensa não especificou. O MOU é vago de propósito.

O panorama geral

Filosa está se preparando para o Dia do Investidor em 21 de maio. Ele tem um plano para “consertar” a empresa. Há rumores de que ele está cortando a gordura. Apenas quatro marcas recebem a estrela dourada: Jeep, Ram, Peugeot, Fiat. O resto? Talvez eles façam parceria. Talvez eles desapareçam. JLR pode ser a peça perfeita do quebra-cabeça para as peças jogadas no chão.

Há um ângulo chinês também. Hoje eles anunciaram uma joint venture com a Dongfend. Estatal. Tedioso? Não. Necessário. A marca de luxo Voyah está construindo híbridos e EVs em uma fábrica da Stellantis na França. É um ecossistema estranho. Você tem metal de Detroit, estilo italiano, prestígio britânico e tecnologia de bateria chinesa, tudo misturado em uma tigela.

Por que isso está acontecendo?

Porque a indústria está quebrada. As regras mudaram. As velhas formas de ganhar dinheiro – exportando bens de luxo para um mercado interno protegido e importando plataformas baratas – estão a evaporar-se. Os governos querem que os carros sejam construídos aqui. Os clientes querem baterias. As empresas querem permanecer lucrativas.

“Tempos improváveis ​​para casais prováveis.”

Então aqui estamos. Um conglomerado franco-americano-alemão de mãos dadas com uma marca de luxo britânica de propriedade de indianos. É um absurdo. É lindo. Pode falhar espetacularmente.

O que você acha disso? Vejo muitos chicotes elétricos compartilhados e menos sinais de trânsito exclusivos. Mas ei, os carros ainda andam. Certo?